segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Frascos de vidro vazios

Bom, nem sei por onde começar a falar e nem o que, exatamente, eu quero expressar. Na verdade, quero expressar vários pensamentos, dramas, tristezas, incertezas e decepções, só não sei qual deles é o número um, porque, na minha opinião, toda uma enxurrada de sentimentos, seja boa ou ruim, tem início com apenas uma gota d'água e, essa gota, por sua vez, atrai outras gotas que formam a tal enxurrada... pode ser uma bem suave, que passa de leve e leva apenas uma sujeirinha da rua, mas também pode ser uma das fortes... daquelas capazes de levar consigo sacos de lixo pesados e alguns outros entulhos, deixados por quem não sentia mais necessidade de utilizá-los ou que apenas sobrou de algo que outrora lhes foi útil.

Talvez a minha enxurrada de coisas demasiadas negativas tenha tido início com algo bom, algo do qual nós, seres humanos, nos orgulhamos. Teve início na crença em relação ao próximo, naquela faísca de esperança que todos nós carregamos. Eu acreditei. 

No início dizia para mim mesma que era cedo demais, que não era possível despertar interesse e sentimentos de alguém tão rapidamente, pois até então, eu nunca havia me interessado assim, com tal rapidez. Pois bem, passei a sentir coisas... aquelas famosas borboletas no estômago, aquela vontade incontrolável de sorrir apenas por receber um simples "bom dia" e pela noção deturpada do tempo, no qual uma hora e meia de ligação parecia apenas cinco minutos. Passei a acreditar no próximo, pois reconheci em mim tudo o que à mim era dito. Acreditei. Fiquei feliz.

Apesar de conversar diariamente - quase que o dia todo - com o motivo de minhas borboletas, continuava conversando com outras pessoas que, para mim, representavam (representam) frascos de vidros vazios sobre um balcão de bar, daqueles em que pessoas bêbadas escrevem declarações de amor e colocam números de telefone (talvez na esperança de encontrar alguém, ou melhor, de ser encontrado por alguém), conversava com os frascos para tentar não precipitar o que sentia pela pessoa que atraiu para dentro de mim todas as borboletas que cabem em um estômago. Conversas vazias, quase que padronizadas. Após admitir para mim e para ele o que sentia, ainda tentava - em vão - não sentir mais... queria des-sentir tudo. Queria me livrar das borboletas, libertá-las. Não consegui.

Após assumir a maternidade de minhas pequenas voadoras e, sem peso algum na consciência pois ele já havia assumido a paternidade das dele, tudo acabou. Simples, rápido como uma bala que atinge sua vítima com todo o calor sem ao menos ser percebida. Acabou. O causador, o homem que havia mostrado às borboletas o caminho para serem minhas, para viverem dentro de meu estômago, simplesmente (simples mente) disse não senti-las mais. Disse ter se interessado por outro receptáculo de borboletas (que, por sua vez, foi encontrado em um balcão qualquer de bar... o mesmo tipo de balcão que suporta meus frascos de vidros vazios)... Bom, eu continuo aqui, com o o estômago repleto de belas borboletas que tentam desesperadamente encontrar a saída. Sou meio frasco de vidro, sou meio borboleta. Na verdade, creio ser um receptáculo feito de vidro que, parcialmente, abriga borboletas.

Não estou sem rumo. Sei o que quero, sei para onde devo ir. Mas vou com algumas feridas e sem parte da armadura, forjada no calor da crença e da esperança. 

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